ILUSÕES GUSTATIVAS

O negócio é que eu não estou entendendo.
O resto do tempo eu finjo.
Dou alguns sorrisos, escuto alguns desabafos, contribuo, faço minha parte.
Sempre com um pensamento constante, me pergunto: o que foi que aconteceu?

Já faz tempo que quero saber,
já faz tempo que eu esqueço de procurar a resposta,
já faz tempo que de tempos em tempos eu queria sair voando desordenadamente como um balão, desaparecendo como um balão estourado, um balão que vai perdendo o gás.
No começo vai ser tudo bem desesperador mas, depois, vai ser só o vento, eu e o vento.
Dançaremos no compasso do mundo. Nada imposto, nada certo, nada errado, nada fora do lugar.
Eu vou com ele até que cansaremos os dois, eu de ser carregada, ele de me carregar.
Pousarei a esmo e ali ficarei até que mil anos de decomposição me façam sumir de uma vez.

Quando ele se levantou na hora de ir embora, mesmo querendo, não olhou para trás e eu me senti emocionada. Aquilo queria dizer que ele tinha escolhido não olhar para trás.
Foi assim que a gente se perdeu como dois desconhecidos.

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