É o suficiente

Não é fácil ter mãe e pai e irmãos e família. É gente demais e não há rede que sustente, todo mundo sabe que a parede não aguenta mais que duas ou três pessoas. Duas pessoas é a conta certa, duas pessoas é a conta perfeita para que uma tribo se inicie e as coisas possam sair da vida ensimesmada.

A gente não dá conta até que a gente se decepciona. Depois que saímos de casa, passamos por várias fases, tipo ex-alcoólatra. Primeiro um amor louco, muito perdão. Depois mergulhamos em romantismo, desviamos dos velhos defeitos. Até a raiva, que aparece também, como não? Muita raiva, muita decepção. Muito revival na boca do estômago. Por último a gente fica com a compaixão, não tem outra opção, é isso ou a indiferença, imagina sentir indiferença?

Existe muitos deficientes emocionais no mundo mas a verdade é que ninguém é realmente deficiente em sentir. Há apenas quem sinta errado demais ou quem invista demais em sentir o que não devia.

Mas é essa a brincadeira. Parece que a gente é viciado em magoar. Parece que a vida fica entediante se a gente não fizer, nem que seja um pouquinho, alguém sofrer todo dia.

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