Ter ou ser?

Tenho essa amiga querida e divertidíssima. A gente se perde muito em devaneios de riqueza, que são as nossas fugas e agrados individuais pela luta diária e muita dedicação profissional.

Outro dia ela me mandou uma mensagem, estava tomando café no Copacabana Palace ao lado de Antonio Banderas. É demais. Tudo isso é divertido demais, esse mundo de possibilidades. Será mesmo?

Eu queria ser rica. Mas quem não quer ser? Eu queria ser rica pelos motivos mais banais, mais vulgares, tão mesquinhos que é possível que nunca seja de fato, uma das mais mais na lista da forbes. Por via das dúvidas, manterei o pensamento e alimentarei um certo life style, tomarei alguns champagnes e pagarei mais de 100 reais em um prato de comida só para o destino, quando soprar seu vento, atingir aqueles que já estão confortáveis com dinheiro.

Tanta bobagem, né? Mas quem não gostaria de não se preocupar mais com as contas no fim do mês ou com um plano de saúde que pague o hospital que você quer parir, minha filha. É, saiba que não é todo plano que permite que você tenha seu filho de cócoras, na hora que ele quiser nascer. Não é todo plano que deixa você em um quarto privado, com espaço para você oferecer lembrancinhas.

Eu também queria dinheiro para morar em qualquer lugar do mundo e, assim, pertencer de fato ao mundo. Acho que viveria um tempo no sertão, para esquecer das agonias da cidade grande e mergulhar em uma rotina mais calma, com outros tipos de preocupações. Engordaria no sertão e não seria abalada por isso. Todos diriam como eu estava mais bonita, forte, saudável. Comeria doce de leite, queijo, bolacha três de maio assada na manteiga, tomaria leite cru, direto da vaca. Bons tempos. E pra quê dinheiro, você pergunta? Oras, para não ter data para voltar.

Também teria muitos filhos, como Angelina Jolie. Teria uns cachorros, uns gatos e pagaria muito bem à minha empregada doméstica. Teria governanta e assistente pessoal e todos seriam bem tratados com benefícios, amor, amizade e day off.

Passaria tanto tempo quanto eu pudesse com meus pais. Os pais são essas entidades espirituais que andam por aí, carregando retalhos que faltam da nossa própria alma. Ok, não é bem assim. É a gente que carrega retalhos da alma dos nossos pais.
Se eu fosse rica iria sentar no bar do Copacabana Palace com a minha amiga. Na verdade, eu nem ia querer ir no Copacabana Palace.

Se eu fosse rica, acho que não teria nenhum desejo de consumo. As coisas mudam para quem pode ter tudo. Então, se precisamos ter para voltar a ser…

Irônico, né?

*imagem daqui: http://weheartit.com/entry/10148002

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