Conjugações

É porque ser punida por fazer minhas próprias escolhas é algo que nem sempre consigo aceitar numa boa. Mas foi assim, matutando sobre uma injustiça que eu achava (acho) que estava sofrendo que eu concluí uma coisa muito importante.

Outro dia escrevi um texto, bem ruim, por sinal, até tirei do ar, onde eu falava que não tinha sonho, que andava tão sem esperança que nem sonhar sabia mais. Eu sei que isso é uma coisa bem triste de se dizer mas, vamos dar um crédito à tristeza, que faz a gente sentir essas coisas.

Só que isso não era só triste como também era uma grande mentira. Meu maior sonho, entre algumas coisinhas mais que eu ainda não alcancei, sempre foi ser livre, ser independente, ser eu mesma, voar com asas nascidas em mim e não coladas, colocadas, muito menos, emprestadas.

No coração da criança que eu fui (uma menina bem inconveniente) existia a crença de que as pessoas mereciam ser aceitas pelo que elas eram. Mereciam não, tinham o direito. Não estou falando de homossexuais, afro-descendentes, mulheres, mas também dos “feios”, “gordos”, desajeitados, preguiçosos, pessoas que falam a verdade, pessoas que se posicionam, meninas pouco delicadas, meninos delicados, gente que vive de luz, testemunhas de Jeová, portanto, cada ser no planeta.

Esse meu sonho grandioso não é fácil de ser vivido. Primeiro lugar, abri mão de uma vida confortável onde eu só iria transformar minha mesada em salário. Segundo lugar, tive que aprender a conviver com a saudade já que ser livre em uma cidade pequena é impossível. Ok, não é impossível, mas requer muita rebeldia e eu precisava de férias da militância. Cidade grande = anonimato. Ou seja, voei longe da minha família. E só. Parece pouco mas esses dois tópicos aí já causam uns bons estragos que nem ”bons drink” salvam.

O que nem sempre lembro, inebriada pelos estragos citados acima, é que eu vivo as minhas escolhas. Sentiram a força? De novo: MINHAS ESCOLHAS. E mais, quando abri o coração para viver o sonho número um eu atraí o sonho número dois; um amor. Eu sempre quis um amor, achar uma pessoa que conseguisse olhar dentro de mim, alguém que me puxasse da solidão e da mania de solidão, alguém para começar uma nova tribo. E foi o que eu achei. Um homem amado que me fala, quando choro perdida nas injustiças egocêntricas de uma vida sob o sol de Áries, que eu sou especial, que sou admirável, que eu vou conseguir e que aceita meus carinhos, que sabe escutar, que sabe falar.

Esse texto é o meu grito a favor das diferenças. Meu grito a favor de ninguém ficar constrangido ao debater o direito dos índios, do aborto, dos homossexuais, de se escolher a profissão que lhe for mais atraente.

Ele é a minha terapia, a minha cura e, espero, a minha memória para quando eu tiver filhos, saber explorar e enaltecer as diferenças entre eles e para eles.

Update: esse curta está circulando no facebook e, ele não só é lindo como representa bem a beleza que é quando a gente se acha e se aceita. Eu considero esse vídeo um convite ao amor. A tolerância sempre me emociona. Chorei aqui.

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2 opiniões sobre “Conjugações

  1. Lila, adorei ver seus novos escritos. quer dizer, novos pra mim! sou ‘o tipo de pessoa’ de detesta quando o povo diz que é ‘o tipo de pessoa’, mas nem era isso que eu ia falar… era que eu vivo cheia, cheíssima por vezes, de inquietações as mais variadas, sobre meu lugar e meu papel no mundo… é difícil achar quem se incomode e sofra tal e qual, mas também quem ame e se delicie, com tudo e por tudo. sinto, ainda que sem similitudes drásticas, uma forte conexão entre as suas e as minhas inquietações, então se eu não tou escrevendo sobre elas jká faz uns bons meses, leio as suas e seus amores e descobertas e TCHA-RAN! rs.

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