Auto-medicação

Todo mundo quer se divertir mas ninguém fala que os canos estouram, que a privada entope ou que a água pode acabar.

Eu não sei lidar com isso. Estou eternamente em uma guerra silenciosa com minha condição de dona de casa. Queria muito que houvesse um Robert Mapplethorp com mania de limpeza, limpando, varrendo, consertando, deixando que o mundo estivesse em plenas condições sob meus pés. Mas pensando bem, isso não é obrigação de amor. O amor já cuida de mim, me chama de linda, me deseja, me faz tomar chá verde, enxuga minhas lágrimas, me dá suplementos vitamínicos e massageia meus pés pequenos, que sempre doem por ter que sustentar 1,72 de neurose e infantilidade.

Eu vejo nas janelas iluminadas a vida dando certo e eu gosto de brincar de “e se” eu morasse nesse bairro e não no outro lá, “e se” eu tivesse dinheiro para ter um carro, qual escolheria, “e se” eu comprasse menos roupa, “e se” eu fizesse um MBA desses que esse pessoal anda fazendo (mesmo que não aprendam nada) só para ter um salário maior, “e se” eu tivesse um salário maior, “e se” eu ficasse grávida de gêmeos, ou só grávida, “e se” eu conseguisse ser magra como essas mulheres que passam fome, “e se” eu finalmente achasse a história que me faria escrever o livro que sempre quis?

Tenho poucas garantias e convivo mal com isso mas, uma coisa não posso negar, todas as que existem, são puramente verdadeiras.

Tirinha daqui:  http://autoliniers.blogspot.com/

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