Te conheço, meu pé de laranja lima

De todas as saudades que eu sinto, a maior é de mainha.

Quando era pequena, antes da síndrome do pânico ou crise de ansiedade serem doenças da moda, eu costumava acordar de madrugada com falta de ar, como se o mundo fosse me engasgar. Era exatamente essa a sensação, o mundo, representado por uma grande bola, não cabia na minha boca, não passava pela minha garganta e eu só lembro de vomitar muito essa época.

Talvez não tenha sido tanto assim, talvez essa lembrança esteja maquiada pela dimensão da infância. Não importa. Eu não conseguia engolir o mundo, mas queria. Queria que a vida fosse eterna, não queria que tivesse fim. Não podia nem pensar em ficar sem a minha mãe sem minha família. Não sei quanto anos tinha. 9, 10…menos. Sei lá. Isso foi antes de entender que eu tinha essa urgência. Foi antes até de querer abafar essa urgência. Foi antes de me transformar em um besouro desgovernado, flanando e batendo em tudo, sem ouvir nada, só meus próprios pensamentos.

Sempre quis minha mãe só para mim. Dividir com irmãos e primos mais fáceis que eu sempre foi um problema e esse ciúme me deixou ressentida muitos anos. Até que eu fiquei adulta. A cortina abriu. Amo minha mãe com todas as forças. Sou filha e também sou mãe. Aprendo a ter compaixão, a ser mais humana, animal, instintiva com esse amor que sentimos uma pela outra. Mesmo à distância, mantemos a ligação umbilical. Eu ligo quando ela pensa em mim e vice versa.

De vez em quando recebo umas caixinhas, cheia de mimos, presentinhos, de jóia a sabonete. Sempre uma surpresa no meu mês. Sempre a sua maneira de dizer que eu posso ser adulta, posso ter pé de galinha, posso pagar minhas contas, mas para ela, eu continuo sendo uma menina.

A caixinha de ontem veio recheada com roupas. Ela sabe que eu amo e aprendeu direitinho o meu gosto meio diferente e minhas preferências pelo chique no lugar do sexy. Além disso, mandou esse brinco aí da foto, uma verdadeira jóia em prata e granada. Delicado e forte, como eu acho que sou ou, como eu gostaria de ser.

Mainha rocks.

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3 opiniões sobre “Te conheço, meu pé de laranja lima

  1. Essa é a minha menina, razão do meu viver, dou graças por ter tido o direito de trazer ao mundo essa pessoa tão linda cheia de virtudes, corajosa pra valer e o melhor, minha melhor amiga. Amo-te.

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