Viver em comunidade, essa arte ignorada

E aí que minha vizinha demora uns cinco eternos minutos gozando.

Coisa chata, constrangedora e incômoda, afinal, tenho esse defeitinho leve e indefeso da competitividade que funciona assim, primeiro eu fico puta (trocadilho já no começo do texto?) porque ela gosta de sexo na madrugada, ou seja, eu acordo com seus gemidos. Depois fico envergonhada por partilhar da vida sexual das abelhas, ops, da vizinha. Por último eu penso que puxa vida, minha filha, dez minutos gemendo desse jeito? Onde está a elegância?  Tá pensando o que? Peraí que eu vou te mostrar. Brincadeirinha. Eu não faço nada disso.

Dia desses eu fui jogar o lixo e o tal namorado estava no corredor de samba canção. Inevitável pensar que ele vinha de um pós coito.  Teve outra vez que eu estava na padaria e ela entrou, muito piriguete mas com aquele jeito de quem trepa, goza e é feliz. Senti uma coisa boa, sabe? You go girl!

O problema é que eu sinto orgulho mas não aguento ficar íntima do barulho, entendem?

– Oi, tudo bem? Sabe o que é? Acho ótimo que você goze, sabe? Olhe, tem muita mulher fingindo mas eu sei que você não porque eu escuto tudo. Por falar nisso, será que você poderia assim, gemer um pouquinho mais baixo? Quem sabe morder um paninho, aquela coisa, tudo pela boa vizinhança

Fui jogada nesse voyerismo à força.

Há meses atrás, por exemplo, ela acabou com o namorado. Rafa. Rafa pintou e bordou no coração dessa menina. Muito chororô, muita humilhação e muito sexo de reconciliação. Não sei se Rafa voltou, não sei se ele é o cara de samba canção. Sei que teve também uma fase solteira no Rio de Janeiro e uma outra que eu tive que bater na parede. Sim, eu sei, que bizarro da minha parte. Mas foi preciso, afinal, eu não moro em um motel.

O que fez surgir uma questão muito importante, será que todo mundo ouve todo mundo? Será que ela pensa o mesmo de mim?

Socorro!!!

Depois disso, da batida na parede e do relacionamento sério (dela) nunca mais ouvi nada, só os saltos do seu sapato barulhento. Até ontem, pelo menos, quando ela resolveu ligar a televisão de madrugada para disfarçar a sua incapacidade de gozar em silêncio, de gozar mais baixo ou, simplesmente, de não querer que os outros saibam da sua vida sexual. Resultado, ouvi tudo e ainda uma programação televisiva de dar pena. No caso, pena de mim, que tenho o sono leve e a tendência de alimentar a raiva durante toda a noite.

tirinha daqui http://www.ooutroladodalaura.blogspot.com/

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