Bessa

É o meu sangue. São todas as hemácias e hemoglobinas que, combinadas, formam a minha cola vital. Não dá pra fugir e olhe que a gente tenta. Toda a gente do mundo viaja milhares e milhares de quilômetros. Ou de neurônios. Ou de status social. Ou de preferências musicais. Só para fugir desse superbond genético.

Não dá. Nem vai servir pra nada porque quando o vento soprar ou quando aparecer uma fotografia perdida dentro de um livro e seu cérebro puxar uma lembrança de um olhar do seu pai, fugaz, um olhar despreparado, e essa lembrança despertar em você a compaixão, aquele sentimento universal, aquele amor que você sente pela humanidade inteira, inerente à sua natureza, você vai saber.

Tantas fantasias, fugas, tantas mentiras que você anda se dizendo e a cura está logo ali. Correndo nas suas veias. Seu laboratório para o amor. Seus padrões e sua vontade de fazer diferente.

Diga aí, não é demais? Não é louco demais? Não é natal demais que tudo comece em dois e vá e vá. Gente entra e gente sai. A  gente chega de visita e a gente recebe novas visitas, uma vez filha, outra vez mãe.

Eu não me canso e me esgoto.

Eu em carne viva e eu cheia de esparadrapo.

Eu nada a ver e eu tudo vendo, observando, feliz, na minha dança tribal.

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