Confissões de Antônia

Bueiros explodem, segurem seus carmas.

O meu poderia ser definido pela minha preferência pela sobrevivência de todos os seres mas eu não confundo sobrevivência com compaixão.

Acredito na pirâmide alimentícia, acho que ela deveria ser uma religião dessa que nos exime da culpa de sermos humanos, portanto mais fortes, e comermos outros animais.

Ora que grande bosta essa mania de sentirmos culpa por tudo. Ah eu mato formigas mesmo porque elas me incomodam e que bom que pelo menos delas eu posso me livrar já que eu tenho que engolir muitas coisas, já engoli muitas coisas, inclusive porra.

Aí nós discutimos, vamos discutir, discutiríamos mais se nos amassemos menos.

Eu senti uma coisa estranha ontem entre as pernas mas não quis admitir. Senti hoje também, seduzindo sem querer os homens no metrô.

Eu sinto algo sempre que me deparo com a inteligência. Odeio pensamentos comuns, inclusive o daqueles que acham que não são comuns.

Que preguiça.

Que saudade da minha cidade, da minha mãe, que vontade de ter coragem.

Quero comer de garfo e faca todas as pessoas do mundo que não sentem medo.

Ah que coisa iluminada é esse ser que não sente medo.

Estamos dominados pelo que é “certo” e ninguém tem mais culhão para se revelar.

Cansei. Posso cansar?

Cansei.

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