Sobre a fé

Falei antes, para você, que estava de saco cheio das pessoas, mas eu gostaria de me retratar. Porque a verdade é que me encho de prazer em observar e ver o quanto de humanidade (ou deve ser a tal divindade que tanto buscamos) existe quando estamos abertos e disponíveis para o outro. A verdade é que apesar de aprendermos a sentir culpa quando nos sentimos extasiados após praticarmos o bem, não existe sentimento melhor e é lindo o quanto de gente existe aí sem medo de fazê-lo. Um bando de hedonista. Eis a sua droga: dar amor. Seus usuários, geralmente, nas minhas andanças, aparecem nas pessoas simples, um motorista de ônibus, taxista, o gari, a caixa do supermercado que sorri para todo mundo, gente que não tem medo de olhar nos olhos, um amigo que me acolhe de madrugada e me presenteia como a uma criança. Nada me comove mais que o amor. Não o amor romântico, entre casais. Falo do amor real, das ruas, aquele que surge como um insight, que tem a ver com o que tantos iluminados pregaram. Jesus foi um deles. Quando alguém cede o lugar no ônibus, um motorista dirige com elegância, uma pessoa passa por um mendigo sem medo um filho olha para o pai com compaixão, é aí que tudo muda. Não é? Quero acreditar que sim.