ano que vem é agora

Viver numa cidade grande é sentar na frente de uma loja fechada para poder tomar um sorvete. A paisagem? Carros e passantes. Pessoas feias, o mundo está cheio delas. Não quero ser preconceituosa, deveríamos (ou eu deveria) ser mais tolerante. Depois penso que a culpa não é minha. As pessoas fazem as escolhas erradas e ficam, de fato, feias demais. Vulgares, feias mesmo. Não sei o que poderia dizer sobre isso. Basta vê-las passando, carregando suas igualmente feias crianças remelentas. Mas não são todas. Já vi muita dignidade também. Costuma me emocionar. Ser digno com condições é fácil.

Copacabana é uma cidade de interior. A praça cheia de gente, velhinhos, pais, crianças no pula-pula, acarajé e cerveja em lata. Bate uma depressão, mas eu guardo pra mim. O papel higiênico custou R$4,55, o pacote com 4 rolos. O que é isso, Brasil? Não entendo, fico realmente confusa, aonde estamos indo? O salário não alcança. Já pedi para a caixa cancelar, uma vez, a compra de um outro produto de limpeza, não lembro agora qual foi. Ela se chateou. Deveria ter mostrado alguma compaixão, afinal, não deve ser fácil para ela também, arcar com os valores absurdos que pedem. Hipermercado extra, o pior do mundo. Sujo, cheio de baratas. Fica a dica para a vigilância sanitária.

As dores da idade começaram a me perseguir. Viver dói e é literal. Se isso não é um clichê eu não entendo nada de figura de linguagem. Coluna, braço, peito, estômago, cabeça, cansei. Um saco, por isso se viciam em analgésico nos EUA. Eu poderia me viciar. Quero muito um agora mesmo.

Devo ser a última pessoa do mundo com uma televisão de tubo, tela redonda. Daqui a pouco vai virar hype, como fizeram com a radiola. Nunca me deixou na mão.

Meu sonho é passar o próximo inverno no sertão, uns 3 dias, 4 pra ficar perfeito. Só quero isso. Estar grávida no próximo inverno e passar 4 dias no sertão. Preciso respirar o ar da minha casa novamente, o silêncio. Visitar vovó e mostrar a ela onde eu cheguei; na maternidade. Nem eu acredito. Quer dizer, nunca sonhei com isso, sonhar sonhar. Mas agora pode ser, não tem nada mais. Tem o livro e tem a barriga. É só isso. E depois tem as outras barrigas, os sobrinhos. Já amo meus sobrinhos todos e eles nem existem. Os filhos dos meus irmãos, a nova geração, é como viver nossa infância de novo.

Também quero ver minha família falando de amor abertamente, vivendo o amor facilmente. Meu sonho ouvir mais vezes dos meus irmãos que eles me amam. Eu digo e eles: um xêro. Sou muito exigente, posso até ser um porco espinho.  Mas o que eu quero é apenas um refúgio. O mundo está muito doido, muito fake, já viram os hipster? Dá até uma tristeza. A era da elegância se foi e não volta mais.

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Uma opinião sobre “ano que vem é agora

  1. Lia, a brisa que você me soprou chegou até a balançar os cabelos.
    Mais forte ainda foi o vento que me bateu agora, depois de ler essas coisas e me encantar e me indignar e me ler nessas linhas de carne e osso, que é esse teu jeito de escrever.

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