so much ego

Entre prédios, o sol larga sua luz em uma varanda perdida, preguiçosa, iluminando tudo tão meigo e tão amoroso como uma mãe que deita o filho e faz uma massagem antes de ele dormir, com o ventinho do ventilador esfriando o quarto. Eu vou no ônibus olhando pra cima, vendo o balançar de todas as árvores, pensando que bom que elas estão ali, vivas, respondendo ao vento, mesmo que sujas de fuligem; estão ali e me ajudam a não morrer sufocada, literalmente

Também penso que sou linda, nem me constranjo, pela primeira vez. Eu sou linda mesmo, porra, super chique, bonita para caralho. E elegante. Quase nunca bebo além, jamais ficaria fora do tom para voltar pra casa. Precisar pensar em voltar pra casa segura é tão triste, será que sabem? Nem fumo mais maconha.

O amor me dá boa noite, eu mostro o resultado da minha auto-estima, tomo sopa requentada e fico tranquila com a maquiagem que arde na cara. Digo que estou bem, mas por dentro sou mais “foda-se todo o resto, acho tudo uma palhaçada”. Vou dormir pensando que sou foda, na cama eu esculacho. Avassaladora.
Pelo menos até amanhã.

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