passarinho que sabe voar faz vuco-vuco

Eu não aguento mais sofrer. Eu sei, eu sei, não existe cura para isso. Nem adianta se preocupar, eu não vou cair nos braços do primeiro curandeiro que aparecer. Eu não quero mascarar nada, quer dizer, até quero às vezes. Tem dia que não dá, não sei se você vai entender, mas, tem dia que não dá.

Tá tudo bem, a vida tá rolando para todo mundo, os carros estão nas ruas, as pessoas seguem para trabalhar (…) é a vida, né? É até a minha vida também, também sou uma dessas pessoas andando e suando e me balançando dentro de algum ônibus lotado. Sou eu também. Mas eu não tenho pressa. Eu tenho pressa, mas não é a mesma pressa. Ou talvez seja assim mesmo, cada um corre para uma direção diferente. Será que é isso? Porque se for isso, tá tudo resolvido. Mas não, não é isso.

Independente do caminho, sei que todo mundo segue seu próprio, tem mais a ver como o que parece. Você precisa me entender, eu sou assim mesmo, eu falo e não preciso de mais nada, vou achando minhas próprias respostas. Mas eu gosto que você me escute. Talvez eu também goste de você. Já gostei mais, há duas semanas. Há 10 dias eu te amava loucamente até que ficou tudo estranho, feio, violento. Eu tento, mas não consigo deixar de sentir essa raiva de mim mesma. Se formos um fracasso, o que não será o resto? Eu já tinha prometido, eu sei, não falar mais nada disso sobre mim, sobre a gente. Mas aí bate aquela dose cavalar de realidade, quando eu tenho 30 anos e estou usando batinha de algodão e um sutiã velho e o cabelo tem pontas duplas e vou trabalhar usando rasteiras e eu sinto angústia antes de dormir.

Eu sempre achei que fosse fazer algo grande. O cúmulo da prepotência. Estava pensando hoje, no 155 via Túnel Santa Bárbara, enquanto mal me encosto no banco do coletivo e observo a joia de herança que carrego no dedo, que eu não tenho quase nada daquilo que sonhei para mim.

Será que é assim para todo mundo? Ganha-se outras coisas, sempre. Talvez elas é que sejam os verdadeiros tesouros que a gente acumula pela vida. Só que, e aquela sensação de finalmente alcançar um sonho?

A vida é linda, mas fica faltando aquela sensação boa de encontrar a satisfação: ter aquilo que a gente desejou ou pelo menos, no meu caso, ter descoberto o que desejar.

E o que veio? São 30 anos. Pelo menos sou o que eu sempre quis ser. Alguma coisa ou outra ainda surpreendem, ainda me vejo como se estivesse fora do corpo muitas vezes, perguntando quem danado é aquela mulher e o que ela está fazendo ali naquela situação tão estranha. Mas teve 2011 e um ano como esse eu não posso desconsiderar. Ele teve a ver com isso de ser. Um ano bom a gente nunca deveria esquecer. Para entrar no ano maia, não tenho rituais de nada e do amor, aprendi há muito pouco tempo. De ligar mandando beijinhos, de fazer carinho e principalmente, de dizer o que eu sinto. De amar e ser amada, eu só comecei a entender agora.

Não, eu não posso deixar de agradecer pelo ano em que completei 3 décadas de vida. Mesmo que nem tudo seja do jeito que eu sempre sonhei, se teve uma coisa que alcancei, foi finalmente ter descoberto quem eu sou e o que eu quero. Mentira. Não descobri bem o que eu quero, mas eu quero viver, ora bolas. O que tiver e o que vier.

É isso que eu quero em 2012, viver o que for, com amor.

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