A brisa, por ser carinhosa, é quem mais tem castigado*

Aquela coisa arrebatadora que é se olhar no espelho.

Aquela coisa dolorosa e extremamente gratificante que é vestir a carapuça. Os nervos do corpo todo mandando mensagem um para o outro, a corrente elétrica fazendo os pelos subirem, o coração bater, o estômago se contrair. Talvez eu seja masoquista, talvez eu esteja viciada nessa descarga química.

Talvez eu seja mesmo, como bem me disseram, um conjunto de adesivos colados, um monte de expectativa dos outros, achando que sou eu mesma quando na verdade, estou longe de saber quem eu sou. Talvez por isso doa tanto querer a verdade. Ela não existe. As coisas acontecem e são divinas e maravilhosas em cada momentinho que se apresentam. Elas são o que são; independente do surgimento.

Quem mora longe de casa perde o ponto de partida. A única coisa que sobra é o amor. As pessoas. O mar. Quem vem do mar não precisa se preocupar com os prédios que sobem, com a quantidade de carros que aumenta. Quem fica boiando na beira do mar, brincando com o sargaço na ponta dos dedos, fugindo das caravelas, só liga para o silêncio que vem na brisa e do horizonte misterioso.

Eu, por exemplo, me guio pelo nascente. Gosto de olhar longe e saber que lá do outro lado, se eu quiser, posso chegar ao continente africano. Posso ir, em uma jangada, e resgatar minhas raízes. Porque sou branca como leite, mas meu irmão é um vulcão negro.

Eu gosto de ver o verde nos olhos dos meus pais, e mesmo que doa a distância dos meus irmãos, seja emocional, seja ideológica, eu quero mais é mergulhar dentro de cada um deles, me entranhar na sorte que tivemos de estarmos juntos.

Não sei de Deus, não sei de céu, de inferno, eu só sei que a escola, dessa escola do amor, não tem como fugir.

Eu tentei, outros irão tentar, não tem aquele que não queira fazer diferente. E não é lindo?

É tão bonito quanto sentir dor.

 

*http://www.youtube.com/watch?v=8xb2ZHZc4Mw