Poema (1)

O pior é quando você,

entre a meditação e o vídeo de algum yogue

indiano que cruza as pernas

tal qual criança, finge não me escutar

e me ignora mais ainda

enquanto eu, puramente infantil,

chamo você, e chamo e chamo

e chamo até você se virar meio chateado

meio grosso, meio de saco cheio

meio sem querer me ver nunca mais

só para me ouvir dizer que “nada não”.

Porque eu tenho essa urgência

em te ter só para mim, exclusivo

e atento, sempre à disposição

dos meus humores e caprichos

e simplesmente não aguento te dividir

com o computador,

com a yoga,

com os livros,

com a evolução ou

com a iluminação.

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