2 de maio

Brincava de fechar os olhos toda vez que passávamos em lugares de muito sol. A água refletia a luz com aquele brilho próprio, que, desconfio, ser pertinente apenas às primeiras horas da manhã, e os jardineiros aparavam a grama, fazendo com que o combo cheiro de verde + céu azul + água convidativa me levassem para aquele lugar mágico da nostalgia. Depois de 3 décadas sentindo saudade de algo sem nome, já consigo encarar com respeito o buraco que existe no meu coração. Se eu acreditasse em Deus, desconfio que seria dele esse vão. Por vezes tento me prender a uma força maior, mas penso que sou cínica demais, maliciosa demais e sincera demais para não me colocar no centro de tudo. O centro da Baía de Guanabara, o centro da minha criatividade em ver o sertão em toda parte, o centro das minhas desculpas para não me deixar levar pelo medo de fracassar, o centro do meu útero, que uma hora será preenchido por algo que vai tirar tudo que sei de mim mesma, o centro da minha saudade de uma casa que não está mais em lugar algum e, por isso mesmo, pode estar em toda parte.

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