Ar

Quero escrever como quem tira o fim de tarde para caminhar na estrada atrás de casa, aquela silenciosa, onde só se vê cachorros e senhoras em busca do pão, ou crianças suadas que chegam da escola em busca de aventuras e do entardecer.

Quero que as palavras não precisem ser ditas, quero tempo para você imaginar, quero que você imagine. Quero eu mesma escrever imaginando e, por isso, deixando de fora todo o supérfluo.

Quero minimizar o esforço.

Quero escrever como quem respira, quero que você me leia como quem vive, tirando suas próprias conclusões. Quero que você escreva por mim, lendo cada linha como se fosse exclusivamente sua.

Quero escrever como quem tem saudade, como quem ama, como quem sofre, como quem não liga para nada, como quem quer morrer, como quem está excitado, como quem está concentrado, como quem medita, quero escrever como quem tem muita fome, como quem não tem fome de nada, como quem está apático, empático, como a terra gira, como as plantas nascem, como o amor surge.

Quero escrever como quem não precisa.

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