Vênus na casa do c…

Logo eu, que sempre desconfiei das previsões repetidas,

que sempre me aborreci com a preguiça do astrólogo

e suas legendas infames dizendo que passei

pela mesma configuração astral em algum período do ano passado.

Logo eu, reclamona incorrigível, de repente tenho um insight.

O que o moço dos astros queria me dizer

era que esse sonho que perseguimos,

que consumimos com livros e meditação

e vídeos de yogues mortos ou ressuscitados,

a busca pela evolução,

é mais uma utopia para nos desviar.

No fundo, tudo isso não passa de mais um padrão horroroso,

do tipo que corta a foda,

pedra no caminho de paus e bucetas

que deveriam estar se comendo com a facilidade da lubrificação natural.

No lugar de gozar, repetimos, nos escondemos,

morremos de medo disso e daquilo.

Somos uns robôs entediantes, entediados e descomprometidos.

Nem se trata mais de egoísmo,

somos indivíduos e temos que exaltar a nossa individualidade.

Trata-se simplesmente de estupidez.  

É um balaio de estupidez o que falo, o que falas, o que falam,

mas há de haver alguma diversão.

Sendo assim, vou redimir o redator,

o moço do horóscopo.

Não se tratava de burrice,

preguiça ou falta de pagamento.

Não era dele a pegadinha astral.

Eu é que estava buscando respostas no lugar errado.

Mal sabia eu que não existe tal coisa que se possa chamar de resposta.

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