Bolhas

O moço passou com a mochila aberta por mim e eu não consegui avisar. Não consegui ou não quis até que não podia fazer mais nada. Enquanto esperava pelo momento certo de bater no ombro dele e contar sobre as suas coisas expostas, ele acelerou o passo, me deixando muito atrás, me deixando impotente. Contei com a fé na humanidade, tentei entrar na intenção de milhares de pessoas mas, não. Ninguém pareceu se importar, todo mundo se perdia no interesse pelo jornal do metrô e suas matérias idiotas sobre jogadores de futebol que vem e vão e fotos de mulheres nuas em busca dos seus pés-de-meia.

Observei de longe o rapaz da mochila aberta e deixei que a ansiedade que eu sentia me consumisse em lágrimas mas, o rímel, eu não podia borrar o rímel.

Eu podia ter gritado, eu podia ter corrido, eu posso ter perdido um amigo pra vida toda quando o metrô chegou. Todo mundo entrou para sua rotina e ninguém viu, ninguém vê, não é para ver as feridas abertas dos outros.

Quanto mais uma mochila.

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