Tudo que move

Pensei que fosse amor

porque foi o que pareceu assim que o dia amanheceu.

Chutei mariscos e espantei sargaços

no primeiro banho de mar depois.

Pensei que fosse amor no bom dia

e naquela caminhada que fizemos,

fazemos sempre.

Principalmente no tanto que encaixo a nós,

nas histórias que escrevo para o futuro

que pode ser até o jantar

ou o final de semana.

Ando procurando ouvir as bruxas e os magos da natureza,

qualquer desse povo que tirou máscaras

ou as usam por diversão.

As igrejas passaram a ser convidativas,

pois me interessa os crentes.

A beleza dos que acreditam

é a minha mais nova obsessão.

A beleza dos que nada sabem de livros e ciência e práticas,

mas são sábios na vida;

essa matemática descarada de agir e receber,

essa descabida coragem de não ser (apenas)

ou ser mais do que possam imaginar.

É que o bem-querer tem essa coisa de flor

de água e adubo.

Os galhos secos, as ervas daninhas, o tempo gasto com outras coisas

O dia que não se cuida, a semana que não se vê,

O mês, o ano, a eternidade que antecede o fim.

A eternidade que antecede o sim.

Para amar é preciso coragem.

Se não falamos mais de amor, o que significa?

Que não me amas, concluo. Que não te amo, nego.

Mas aí, não pode ser.

Pode?

Você me puxou com tanta firmeza,

Olhou nos meus olhos com tanta certeza,

Falou meu nome com todas as letras, agudo no i,

Pediu meu telefone e ligou.

A sua voz era tudo de mais lindo.

Eu não te amei à toa (não faço nada à toa).

Era, foi?

Ainda é amor?

Ainda és, amor?

Ainda estás?

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