Nemigalia

Estou parada debaixo da árvore, contemplado o mar.
Alguém me chama, outros até me puxam.
Não quero ir, não vou, não farei nada até que me dê vontade.
Posso ficar assim eternamente.
Pelo menos hoje, posso ficar assim para sempre.

O pescador puxa sua embarcação, acena pedindo ajuda.
A rede cheia de peixes que não são meus.
Não os quero, ele oferece.
Devolvo-os para a água.
Parada, de frente pro mar, não quero nada que não me pertença.

Nem lembro mais quantos dias se passaram.
Quantas vezes o sol se pos, ou a lua nasceu.
Quantas vezes contei estrelas ou, simplesmente, as vi se apagarem.
Parada debaixo da árvore, eu já não vejo as ondas vindo e indo.

Já não escuto o barulho das crianças,
O chamado do moço do picolé.
Já não me importa o siri a mordiscar meus dedos.
Parada, de frente pro mar, eu me transformei no mar.

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