Gratidão

A idéia de nascer de novo é tão agradável que ando obcecada por ela, apesar da consciência pulsante de que é um pensamento, no mínimo, pessimista. Mesmo assim, impossível não pensar no quão maravilhoso é a possibilidade de recomeçar sem os erros fatais. Não adianta me dizerem que não existe erro fatal, que toda experiência constrói a estrada da vida e que, desejando, todo dia é dia de recomeçar, que se não der pra recomeçar em um dia, com certeza um dia é o necessário pra começar tudo de novo blá blá blá. Tudo que eu penso é como seria bom estar nova em folha, ali bebê, com uma vida inteira pela frente para fazer outras escolhas, lidar com alguns eventos de forma diferente ou, no mínimo, fazer um esforço para nascer com outro signo (cada um sabe a dor e a delícia de ser Ariana).

Perdida em devaneios sobre como dar um novo rumo à minha vida e, por isso, totalmente submersa em uma certa melancolia, fui convidada para uma sessão de cinema em casa. O nome do filme? The Happy Movie. Para explicar melhor, é bom dizer que a dita produção não é bem um filme, é mais um documentário. E que conteúdo, viu? Eu, que nem consegui ver “O Segredo” até o final, fui pega de surpresa sobre as questões abordadas, que, assim como no sucesso citado, também aborda algumas práticas neurolinguisticas.

Como todo insight, o que percebi esteve o tempo todo bem debaixo da minha fuça. Por exemplo, é claro que a maneira como nos dedicamos a ver o mundo acaba transformando o mundo, pelo menos aquilo que nós entendemos por mundo. Não é? Aposto que você aí que me lê já sabia disso. Eu já sabia. Mas praticava? Não senhora. Vamos combinar que estar desesperado e em sofrimento bloqueia tudo isso. Eu sei que a minha visão, vez por outra, ainda está parecendo o parabrisa de um carro fazendo rally. A diferença é que, inspirada pelo The Happy Movie, agora eu tenho um objetivo diario: agradecer.

Outro dia fui a um casamento e, com toda a beleza que o evento trazia na sua essência de ser uma celebração de amor, uma palavrinha dita pela noiva chamou a minha atenção. Como pode algo tão banal, corriqueira e simples ter essa força? Mais um insight que, junto ao outro, proporcionado pelo documentário, virou um só propósito, com o qual eu inauguro uma nova era na minha vida.

Hoje, por exemplo, a minha principal missão, o primeiro de todos os passos para esta etapa sagrada, é deixar muito clara a minha gratidão por ter sido presenteada com um amor. Uma pessoa especial, paciente, generosa, gentil e tão dedicada, que enche minha vida de uma sensação do quanto o divino está presente. Aí eu penso, como posso querer recomeçar ou nascer de novo, se isto implicará estar longe daquele que foi o melhor amigo que a vida poderia me oferecer? Se isso não é sorte, desconheço qualquer coisa. E assim como aquela noiva, eu também sou grata. Respeito, amizade, estímulo intelectual e delicadeza não se ensinam nas ruas, ainda mais nos tempos de hoje. Eu tenho tudo isso. O resto a gente inventa.

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