Being crazy

Eu sei que te amo quando procuro deixar as garrafas de água sempre cheias na geladeira, que é para quando você entrar em casa sedento, ter o porto seguro da saciedade.

Também confirmo o meu amor no prazer infantil de estar sentada em um sofá improvisado, feito de colchonete de hipermercado e uma colcha de fustão antiga, aquela importada da juventude do meu pai, vendo que nossa vida se ainda não é, está indo ser como desejamos.

O fato de você gostar mais das coisinhas do chão e do horizonte do que as que estão fazendo as pessoas nos enxergarem é o que alimenta meu bem querer, sendo eu mesma uma pessoinha do chão com a cabeça nas nuvens.

É então quando penso que não podia sentir nada maior por você que me vejo flutuando em felicidade, porque esqueci de me depilar e percebi que você nem liga, desejando o que é normal, ou até mesmo, as minhas calcinhas bege.

E aí eu começo a querer competir, como se o cuidado que temos um com o outro fosse uma corrida maluca e velar o seu sono fosse a garantia do pódio. Mas você sempre dá um jeito de chegar primeiro, soprando minha nuca e massageando minhas orelhas até que eu desligue de tudo.