Que ano é hoje?

De vez em quando a gente acorda com a testa toda enrugada, a tal da “cara amassada”. É uma realidade. E a gente tende a fugir da realidade, não quer saber de encarar, mas ela aparece, cedo ou tarde. As coisas que precisam acontecer, acontecem. Envelhecer é uma delas.

Você se olha no espelho, de um dia pro outro e vê todas aquelas ruguinhas. Enquanto tenta não se desesperar, reza pra que ao longo do dia o colágeno volte para o local, com medo que ele seja tal qual o amante malandro que disse ter ido comprar cigarros e nunca mais voltou. Na espera, você aproveita para começar a aceitar aquele conselho repetido à exaustão nas revistas de beleza: protetor solar, óculos escuros, hidratante etc etc etc e tome etcs.

O pior de ter 30 anos não é, de longe, o pé de galinha, o bigode chinês, a pele flácida. A única coisa realmente chata é que, se aos 15 você queria parecer mais velha, se aos 22 você disfarçava para ser respeitada no trabalho, se todos se diziam surpresos quando você confessava ter 26, aos 30 você é isso tudo. Você parece ter comemorado todos os seus incontáveis anos. Não tem mais aquele suspiro de admiração quando você diz que tem 32. Não tem mais aquele maravilhoso comentário: “Nossa, mas você parece ser mais nova!”.

O garoto de rua vai te chamar de tia e naquela loja bonitinha, cheia de meninas homogêneas, você vai ser chamada de senhora. Pior, quem vai te chamar de senhora é de fato, uma senhora. Porque mulher é assim, meio maldosa, ela sabe onde o calo machuca. Ela carrega, mesmo sem querer, a convicção de que, depois dos 30, estamos todas envelhecendo, “amorecos. Somos todas jovens senhoras, não adianta disfarçar com tênis de cano alto ou saia jeans muito curta ou aquelas calcinhas enfiadas na bunda.

Aí eu penso, não, nada disso. O colágeno pode até nunca mais voltar mas, eu que não vou cair nessa loucura. Vou abraçar o lado bom, que é poder usar as roupas mais legais sem ter aquela obrigação de sair seduzindo, afinal, eu tenho 30 anos, meu tipo de homem não é mais aquele cara cheio de testosterona desenfreada. Eu só quero a testosterona bem utilizada. Eu nem preciso mais dar pra qualquer um porque o sexo foi resolvido. Imagina fingir orgasmo? Não depois dos 30.
Só que aí eu penso que deve ser delírio e até um pouco de inveja da juventude alheia. Não importa. Por via das dúvidas, melhor não esquecer de todos os etcs diários na minha pele nem de renovar meu estoque de calcinha fio-fio dental, afinal, aquela parte que eu não preciso sair seduzindo todo mundo era pura mentira.

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