Nada de feio no espelho

Coloquei aquele carioca superlativo no repeat e só então entendi.
E foi na luz da sua música que eu finalmente percebi toda a claridade da minha casa.
A almofada indiana ainda precisa de enchimento e o tapete azul do cerrado já está mais que puído. Só que eu não ligo.
Não me importo com algumas coisas importantes para o resto do mundo e talvez por isso nunca vá conseguir combinar as molduras dos quadros da sala, ou a distância entre um e outro. E é isso que mais gosto em mim.
Eu, que tenho mania de soprar o uísque como se o fato de ele esquentar o coração fosse premissa para queimar minha garganta.
Eu, que volta e meia morro atropelada, apesar de ser militante pela educação dos pedestres.
Eu, que nunca consigo dar uma boa resposta na hora certa e depois passo a noite em claro refazendo o diálogo ideal.
Eu, que hoje dei um nó na blusa de malha como se ainda tivesse 14 anos.
Eu, que tenho vergonha de acabar namoros ou pedir demissão e, por isso, prefiro desaparecer ou escrever cartas.
Eu, que sou muito radical mas, ando tentando achar tudo normal, como se a tolerância fosse a prática da nova era.
Eu, que gosto de beber, escrever, comer e andar.
Eu, que gosto de você.

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2 opiniões sobre “Nada de feio no espelho

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