Alarm clock

A mão esfolada, a prateleira posta.

O cheiro do corpo suado, meu próprio corpo suado, espalhando-se pela casa, “uma casa totalmente nova”, falamos repetidamente.

A astróloga sempre tão profética, dessa vez, anda apocalíptica demais e antes que o medo me consuma, eu fico com o que o vento anda me soprando.

Está aqui, é o meu cabelo que balança. E, afinal, não são os astros os responsáveis pelos fenômenos naturais?

Em poucos dias serão 32 anos. Tão poucos dias que já posso comemorar a partir de agora; tenho muita coisa para fazer e zero medo. Ou seria nada para fazer e infinito conforto em nadar nesse nada…

A vida como ela é acontece fora das novelas e dos livros. Está mais nas esquinas, no céu, na moça cheia de pacotes e sacolas que ainda assim ajuda a senhora que tenta atravessar a rua. Está na maleabilidade, minha primeira palavra difícil. Mas a palavra que mais gosto é outra, é aquela que nos faz prestar atenção, que nos faz dividir os afazeres, que faz um amigo ouvir ou aparecer ou agradecer ou ainda mais, ter coragem de falar.

Aqui o relógio não para. E é incrível como não escuto seus ponteiros durante todo o dia, só o som do teclado, ou da agulha que fura meu novo hobbie. Até que tudo finda e eu olho em volta. Está incrível, você precisa ver.

Uma casa totalmente nova, como o novo tempo.

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