ever, ever, never

Você espera
que ele veja a sua cara inchada
e as lágrimas secas
nas suas bochechas
mas, ele não vai te procurar.
Até que seu sal seca
e você para seu olhar
em algum ponto que você nem sabia
que tinha na sua parede,
sonhando com o momento
em que finalmente
ele vai cair em si,
vai levar uma queda do 3º andar da culpa
e vai aparecer na porta,
abrindo-a sem bater,
cheio de arrependimento
e mil versões das desculpas
que você inventa
enquanto fita o tal ponto invisível.
Mas, no lugar disso,
ele funga lá do outro quarto,
como se hoje fosse um dia normal
e ele ainda estivesse preocupado
com a sobremesa
para finalizar o jantar que você fez,
como faz todos os dias.
É aí que você, então,
chora mais um pouquinho,
sem saber como resolver esse impasse
de ter que escolher
entre viver o que pensa ser melhor
ou aceitar que conto de fada
é coisa para criancinhas.

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