Existência gemelar

Eu estava contando para ele tudo que eu fazia escondido de você quando me dei conta de como todas aquelas pequenas coisas me transformaram em uma completa estranha, até para mim mesma. Existe uma história completamente nova sendo contada nas barrinhas de banana recheadas com chocolate que como na madrugada, ou naqueles cigarros que fumo, à varejo, na banca de revista da esquina. Mas não só isso. Tem tantos rituais, dos quais você não faz parte, que só de falar sobre eles em voz alta senti finalmente os 2 quilos que faltam irem embora. A calça cedeu, não duvide. Meus peitos meio que pularam pra fora e os ossinhos do meu colo apareceram, tirando de mim todo o estigma de gordinha que sempre carreguei.

Se há um furacão, ele não passou por aqui. Mas, posso afirmar sim, que senti meu cabelo assanhar com o vento que ele deixou para trás. A poeira que encheu minhas narinas, também anotei como conseqüência e não posso ignorar o fato de que diversas casas da vizinhança ficaram sem telha, causando uma goteira no vizinho que infernizou a minha noite com sua batucada aguda. Às vezes penso nele como um tornadinho e também o chamo por um outro nome da minha infância que de tão antigo, nem lembro mais qual era. Passou ao redor de todos, mas não do meu. Eu continuo me dividindo em duas, essa que você conhece e a outra que só se revela nos intervalos da novela.

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