Estreia

Às vezes eu sinto como se tivesse dez anos, quando
o meu quintal era um curral, e entre esterco e cheiro
de xerém, a brincadeira acabava em pancadaria
e um murro no peito era o que tirava meu fôlego.
Hoje o ar estão tão quente.
Os trabalhadores na rua nem parecem ligar para todos os olhares empoleirados;
continuam batendo suas estacas, fechando o trânsito,
furando o cano, empoeirando tudo.
Mas, aqui dentro, nada mudou, as cortinas continuam fechadas.
A notícia do dia não abalou nada, mas acho que foi a partir dela
que eu entendi aquele medo infantil
de aparecer pelada no corredor da escola.
A sorte é que não apenas eu mas,
todo mundo está nu por esses dias.
Gosto de pensar que é culpa de uma força maior,
talvez deus, talvez a natureza, talvez seja a lua nova.
Os dias não parecem acompanhar a eternidade do meu coração,
continuo ficando velha, esses dias acordei com 32 anos,
mas, no fundo, ainda sou a mesma que ficava sem ar,
aos 10, brincando com meus primos entre as vacas.

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