Domingo

Sinto esse sono profundo
que pega, reina
que mina o medo
que mata a rima
mas a caneta continua
sem escrever
e a tinta
continua saindo fraca. 

A carne do almoço assa
no forno que nunca limpei
mas ninguém também nunca
limpou a casa do Sabiá
e ele continua feliz
o Curió também,
bem como o Galo de Campina,
desconfio que muito mais
a Jandaia. 

No meu banheiro pequeno
tudo fica tão grande
deve ser a luz que entra
ou a água fria
sempre tem um cheiro bom,
a despeito da cozinha
o forno que eu nunca limpei
no entanto, ninguém nunca limpou
a casa do Sabiá,
e ele continua feliz. 

 

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