Bento

É de noite que ele se levanta
e sai para explorar
frestas e janelas,
buracos e os reinos
escondidos das almofadas.
Fruto de alguma mutação regional,
só visto ali, pouco antes da serra branca,
ele desfila seu tronco comprido
entre as paisagens
que se abrem como portais.
Se é, se não é,
todos querem saber.
Preto da cor da noite,
estrelado por talhadas certeiras,
o branco dos seus olhos miram lugar algum,
daí o ar de mistério.
Duas bolas de fogo
garantem a visão noturna e,
desconfio,
seja o seu nariz arrebitado
a fonte da sua coragem.
De dedo em dedo,
um passo depois do outro,
ele invade a minha casa.
Escondendo-se nos lugares mais óbvios,
une-se à luz para rir da minha desatenção;
finge ser uma peça de madeira
quando na verdade,
é o monumento da minha saudade.

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