novos velhos costumes

Se ainda estivéssemos em 1800 e alguma coisa
quando ser mulher não era muito diferente
de ser um pedaço de terra,
aí sim, eu aceitaria que uma esposa
fosse nada mais que uma ex-filha.
Mas, pensando bem, se o acordo fosse negociável
e a propriedade que eu fosse representar
estivesse cercada de toda a natureza
que me é essencial e eu pudesse
listá-la e houvesse garantia e aquelas
coisas todas que querem o ser para feliz
tais como a água corrente
e a casa virada para o nascente
e o verde do juazeiro e o berro do bode
e as almas penadas a bater papo durante meu sono
e pelo menos uma vaquinha provesse
o leite de todo dia e o silêncio fosse sempre marcado
pelo som da vida, apenas, e nada mais,
aí sim, eu aceitaria de filha passar a esposa
porque só assim, seria fácil garantir
vir a ser eu mesma.

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