Um tanto de besta

Fecho os olhos para escutar
mas, só quando fica complicado
sob a luz.
Também fecho para ouvir melhor
e, nem imaginas o que sinto
por  não lembrar.
Aí eu reconstruo, um por um,
os cantos da nossa casa.
As flores amarelas
e a fruta besta
bem como a sombra do sol,
o único que podíamos pegar,
são o meu rosário.
Rezo para não enlouquecer
e nunca me sentir só,
como tem sido nos últimos tempos.
Dia desses o cavalo subiu ligeiro
e desceu como mulher,
rebolando as ancas.
O suor do pelo na minha canela,
e seu hálito cansado,
que respingou na minha cara,
não foi nojento
como nunca foi.
E eu joguei a água em cima dele
e ele pisou no meu pé.
E eu o puxei pela mão
e esperei que se banhasse
enquanto olhava o horizonte
da nossa casa
que naquela hora
ficava ainda mais bonita.
Quando fica complicado
não pode ter luz.
Só que ninguém entende
ninguém entende de si,
quanto mais do outro.
Ninguém entende a beleza do casaca-de-couro
e, mesmo assim,
ele continua cantando.

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