Contagem

Há mais ou menos 20 dias quero passear pelo centro,
ver a exposição do museu com nome de banco,
dizer não para o vendedor de poesia,
olhar pra cima das casas do século retrasado.
Há mais ou menos 45 dias, apenas,
eu não posso perseguir borboletas
ou decidir o que fazer nos finais de semana,
agora tomados com coisas pré-determinadas
pela pressa das que nunca saem do começo da fila.
Risco o calendário porque são dois traços a fazer,
na rotina que garante o final do dia.
Talvez 4 segundos, se eu riscar bem devagarzinho. 1234 e acabou.
Amanhã vai ser tudo igual, chegarei e já estará tudo decidido.
Uso duas cores de caneta; uma para o que vem a ser, outra pro que já foi.
Mas amanhã, eu troco tudo, para testar minha concentração.
E pinto o que já foi com a cor do que ainda virá.
Olho o céu e presto atenção aos detalhes, já com saudade.
Acho estranhíssimo estar aqui e de repente, não.
Será que os lugares guardam um pedacinho de mim?
Por isso coleciono pedras e fotografo detalhes,
para quando reconstruir a memória, ser apenas generosa,
a despeito do sofrimento que o momento possa ter me causado.
Estou constantemente tentando ser uma pessoa melhor,
uma pessoa melhor,
uma pessoa melhor,
uma pessoa melhor.

Eu só quero ser uma pessoa melhor e passear pelo centro.

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