Metafísico

Da primeira vez que caí de joelhos

era uma noite quente de dezembro

em um natal solitário

Lembro de ter ouvido pessoas sorrindo

e até hoje não sei se era de mim

O telefone nunca tocou

e por causa da tecnologia, só escuto bip-bips

Na rua, um bêbado enfia a chave no portão errado

na esquina, o casal que eu já fui desce do taxi

Os animais noturnos batem na janela

e os passarinhos dormem

Menos eu. Eu olho pro teto

escondo o incômodo atrás de caixas

sonho e tenho pesadelos

com o bêbado da portaria

O meu coracao já suportou muita coisa

mas, isso não quer dizer

que ele seja como rabo de lagartixa.