Burn, little lulu, burn

O tempo que não passa
e a castanha de caju sem sal
parece ser a única coisa
com a qual tenho que lidar
por isso escondo o lanche
para ninguém me pedir
e talvez por isso tenha sido castigada
por pedaços com gosto de chulé
e pequenos grãos de areia
a se fincarem nos meus molares

dizem que aqui fede, mas não é verdade
e quanto mais sinto o vento gelado
com aroma de tudo que possa surgir dos ventos gelados,
mais aumento o som da música
mais me dedico a tentar lembrar
o nome de uma banda
que jamais decorei o nome

tento fazer poesia e perdoo meu ócio
tento ser invisível
e conto as horas para mudar tudo de novo
gosto de olhar para as frestas do telhado
que é onde estão os passarinhos
que gritam desesperados às cinco da tarde
e também vou lá, me esconder nas frestas

só que já me escondi muito tempo
e se nunca fui menina pra casar
e mesmo assim casei
o que me impede de ser livre
em uma cidade que ainda acha
que mulher solteira, que mulher independente,
que mulher inteligente, que mulher que trepa
que mulher divorciada, que mulher bonita

é puta?

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