Alma não tem cor

então, de repente,
saimos de cima da goiabeira
deixamos para trás as risadas
e todas aquelas músicas
que inventávamos
não lembro dos sonhos
se os dividimos
por certo que sim
mas, lembro das promessas
de ficarmos sempre juntos
dos sapatos que combinávamos

ficou tudo diferente
a vida é como um encontro
do rio com o mar
nem sempre se pode pegar a mesma corrente
umas levam para a costa
salvando os náufragos
outras levam para o alto-mar
dando vida aos afogados
quem se salvou
celebremos
quem se afogou
não podia ter sido diferente

enquanto tantos dizem
que água e óleo não se misturam
eu forço a barra
eu balanço, balanço
fico com aqueles segundos
quando tudo é uma coisa só
assim eu quero que seja
era como eu queria que fosse

agora que podemos entender
que a vida continua
além do olho daquela árvore
agora que temos a chance
de fazer escolhas
porque não podemos conversar novamente
como duas almas que se conhecessem
de longe eu te observo
às vezes feliz, às vezes triste
às vezes orgulhosa
do alto eu te espero
podia continuar assim
toda uma vida escolhendo
as frutas mais saborosas
como eu fazia na nossa infância

eu até podia ficar assim
até que você deixasse o salto de lado
os cílios postiços
a preocupação excessiva com a aparência
mas vai demorar muito
até que toda a água oxigenada
tenha saído do seu sangue
porque se ela não te deixou burra
(pelo contrário)
ela te transformou em alguém
que eu não faço questão de conviver.

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