Censura

A vida inteira, a repetição, o esquecimento em detrimento do sentir excessivo, os detalhes, ora sórdidos, que passa, menina? Que tal mais delicadeza, não vendem em delicatessen? A amante na casa ao lado, o ovo à la coque sempre pronto, nunca para nós, tudo aquilo que fingíamos não ver, ou éramos ensinados para. Insistentemente, não devíamos perguntar, nem pensar, só nos restava sonhar nos intervalos da soneca da tarde, o sol quente até às 16h, o pôr-do-sol no exato ponto entre os pés que colocávamos no balcão da varanda, a fila do banho, a coalhada quebrada, era sempre eu, a culpada de tudo. E daí? Amor, cinismo, comida, agressividade, poesia, aprendi com o mercado escuso a dar presentes usados e a ir embora antes da festa acabar. O resto eu esqueci. Não adianta.

Se me flagarem rindo, foi puro fingimento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s