2013

O começo do ano não foi bom, mas já tive piores, então, instintivamente fui em frente, sentindo muito calor e escrevendo como uma louca.
Do jeitinho que eu gosto, no nosso aniversário, representantes do clã vieram nos prestigiar e isso marcou o primeiro trimestre.
Não foi um ano de muito trabalho, mas foi aquele que eu consegui, aqui e ali, aprender e ganhar o meu na corda bamba. Não foi fácil, mas deu certo.
Foi o ano da poesia. Tanta poesia. A poesia me salvou, me deu voz, me definiu, me ensinou e me ensina.
E poeticamente, em 2013 fiz 10 anos de casamento. Que loucura, que transgressão é amar todo esse tempo. Nesse mundo de mil atrativos, de mil possibilidades, nós ainda queremos um ao outro, nossa escolinha particular, nosso projeto por uma existência que valha.
Eu fiz muita atividade física esse ano e finalmente fiz as pazes com meu corpo. E por falar em corpo, esse foi o ano que me livrei do sorine, mas continuei dando umas baforadas esporádicas.
Cortei o cabelo de 3 em 3 meses, mas fui pouco à manicure, menos ainda à depilação. Foi um ano que eu entendi aquela fase que toda mulher passa de deixar as coisas serem como são.
Esse ano começou no Cerrado, passou por Brasília (que amo), foi para BH (que sempre quis conhecer), deu um pulo em Inhotim, descansou dias em João Pessoa, matou as saudades em Pipa e terminou em Paraty. Foi perfeito, foi tudo tão especial que Paris nenhuma teria funcionado da mesma forma.
Nesse ano eu continuei desajeitada e, por isso, torci o tornozelo lutando muaythai. Para completar, tive tempo de levar a corriqueira queda na escada da casa dos meus pai, bem como outra na cozinha. Me cortei inúmeras vezes cozinhando, me queimei outras tantas, bati meus joelhos nas quinas do mundo infinitas vezes.
Esse ano assumi minha casa e nada me deu mais prazer que ser dona desse espaço. Limpei, organizei, cozinhei. Cozinhei muito, quase todos os dias e foi tão gratificante quanto escrever. Alimentar a família é algo indescritível, mesmo que seja uma pequena família de dois.
Acho que não chorei muito em 2013, mas tive meus dias de apatia, de melancolia, de desespero. Nunca estive sozinha, tampouco na multidão. Continuei sem saber muito como aparecer para os outros daquele jeito fácil e infantil, mas é culpa minha, culpa da genética, culpa de sei lá. Em compensação, quando precisei e recorri, tive amizade à disposição (beijo Ju).
Tive tanto a minha mãe que nem sei. Tive tanto Lanusse que nem sei. Tive tanto meu irmão que nem te conto. Tive inúmeras pessoas distantes e virtuais e queridas que apareceram aqui e ali para deixar palavras doces sobre meus textos. Como foi lindo.
Em 2013 eu aceitei todos os nãos da minha vida. Fiz as pazes com a minha trajetória, com meu carma, com o que eu não tive, não ganhei, não conquistei, fiz as pazes com a minha idade. Deixei pra lá até mesmo a geografia, a paisagem que nem é mais a mesma, guardando-a dentro de mim, no meu lugar sagrado.
Em 2013 eu conheci a fé e me apaixonei por um cachorro.
Se o ano não começou bem, hoje, no último dia, está tudo melhor, apesar do calor, apesar de estar longe dos meus, apesar da insegurança profissional ou existencial. Hoje eu abraço o tempo como ele é, se apresenta, sem pressa para chegar em lugar algum, esses lugares inexistentes da nossa imaginação, simplesmente porque em 2013 eu aprendi a prestar atenção à paisagem.
Para 2014 eu espero mais mistérios e encantos. De coração aberto, eu vou.

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