Perdida na vida à custa das aventuras

Parece que 2014 é o ano que eu vou morrer. É o que as astrólogas do momento estão falando. Confesso que há tempos desconfiava disso, então não foi nenhuma novidade. Mas como boa procrastinadora, deixei para acender o farol só no último instante e ao ver aquela luz toda em cima do inevitável… Deu um friozinho na barriga,  não vou negar. Uma coisa é desconfiar, outra é ter certeza.

Duvido de quem não tenha medo. Eu achava que não tinha, afinal, vamos todos morrer mesmo. Não é assim que se diz? Mas daí, encarando o fim de perto, eu não consigo pensar em nada. Acho que congelei. Estou naquela fase de pesar o que eu não fiz, o que eu não fui, esse tipo de coisa. Tal qual o A.A., me baseio em listas. Passo 1, passo 2, não me importam. Ando sabendo que vou chegar naquele último suspiro, e esse é meu único conforto.

Vou morrer nesse ano, é indiscutível. E comigo, tudo desaparecerá. Um sofá amigo, uma porta quebrada, uma cidade, um bairro, tantas linhas de ônibus. Sinto que tenho que começar a me despedir. Adeus amigos que não fiz, adeus festas que não fui, adeus empregos dos sonhos que não tive, adeus mar que quase nunca mergulhei, adeus louca da esquina, poesias que deixei nas viagens pela cidade, adeus selfies que esqueci de tirar, batons que esqueci de comprar, dívidas que não fiz, viagens irresponsáveis que nunca encarei. Adeus magreza que nunca consegui, foi bom sonhar com você.

Queria saber o que vai ser de mim depois. Tento planejar brincando de “como, onde, quando, porque” e me canso na primeira rodada. Nunca gostei de jogos. Mas gosto da ideia de ser outra então mudo a brincadeira e fico imaginando qual planeta estará ligado a mim quando eu me transformar. Será Urano? Ou Júpiter? Será que no final, tudo irá se completar em Marte, que é o meu regente? Será que Vênus se lembrará de deixar um amor atento para quando eu ressurgir das cinzas?

Já nova, Fênix de mim mesma, uma moça refeita no ano de 2014, onde a soma 2+1+4=7, um número ímpar, eu espero ser dois novamente. Nesse ano disfarçado, que deixa um de lado, eu espero morrer. Eu posso morrer nesse ano par. Eu quero renascer nesse ano ímpar sendo 3. Já estou com as lanternas ligadas e tudo que eu vejo são possibilidades. Será que é disso que falam, as astrólogas do momento? Quer saber? Eu também.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s