a culpa é sempre das estrelas

há dias não quero dizer nada,
não ouso nem pensar,
muito menos remexer no que se esconde,
correndo por baixo de camas,
escondendo-se dentro de caixas,
perdendo-se nos livros velhos
que nunca mais irei folhear,
como um passado substituível.

há dias que observo os detalhes
para depois esquecê-los com facilidade
sem prestar atenção,
ou muito menos estar interessada,
como não se interessam também
os outros no jardim
pelo que acontece à sua volta,
ignorando o que está na mira da vista,
a espera do que vão dizer os folhetins
e os histéricos dos murais.

há dias que ando sentindo algo
esperando aquela outra coisa que não tem nome,
que lembra borboletas no estômago,
que chamam os otimistas de esperança,
que as mães chamam de instinto,
que os apaixonados chamam de amor,
que os apocalípticos chamam de fim do mundo,
que as árvores, se falassem, chamariam de vento
e que para mim, nada mais é do que chuva.

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