Não importa o peso

Sempre digo pra mim mesma
que eu deveria cortar meu cabelo
num corte que me mudasse radicalmente
E me imagino com ele curto e colorido por alguns minutos
principalmente se ando por uma rua reta
que é quando invento que sou essa nova
Suspiro de ansiedade imaginando
como será essa mulher
será que ela faria isso ou aquilo
Mas depois tenho saudade de quem eu sou
e penso que é tão difícil chegar onde se é algo
mesmo que nunca se tenha certeza de tudo
e que mudar pode ser irremediavelmente
por alguns meses
chato e assustador
É quando desisto e decido então
que eu posso resolver isso com sapatos
ou talvez lendo mais das poesias que me arrebatam
Talvez eu devesse assumir
de uma vez por todas
que não nasci para a unanimidade
e que sendo assim, o mais fácil é ficar invisível
deixando para a noite, que nunca dormirei
a tomada das decisões mais complicadas
Então o sol brilha e queima meu nariz
fazendo as sardas ficarem aparentes,
escondendo tantos anos quanto eu tenho
que são tantos quanto aqueles que me distanciam
das pessoas que eu gostaria de ter perto
– sinto falta de todas elas e já não sei como dizer
O tempo se arrasta e eu gosto de andar,
poderia andar pra sempre
Eu só não sei mais ou não consigo responder
quem eu gostaria que andasse ao meu lado.