Álbum de família

Meu medos estão nos sonhos da madrugada
e também na vodca mal mistura
por ter amigas espalhadas
e por ver cobras descabeçadas
servidas como almoço
na casa de infância da minha mãe
onde o sapo tem o tamanho de um pé
que calça 41 e caminha na lateral do terraço
espreitando a hora de entrar
para pegar insetos sem nome
que dessa vez não estivemos para catalogar
ou quisemos
porque querer parece ser a única coisa que nos move
que espalha o silêncio, que dá voz aos corredores vazios
aos quartos vazios
ao chão vermelho rachado
há uma casa e há também, todas as outras vidas
se pusermos redes no ar, quem ficará preso nelas?
como se fantasmas pudessem ser pegos como borboletas
como se extraterrestres morassem no balde de um açude
como se memória fosse uma coisa imutável
como se o amor fosse uma coisa eterna
como se o tempo, que passa além dos personagens
trouxesse novidade
mas quem é o mensageiro?
naquela casa, o chão xadrez
e o assovio do vento
parecem ser os únicos a me ensinar
a dormir em paz.

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