Praia do cachorro

Quase consigo atravessar, como que abrindo cortinas, a umidade pelas ruas, pesando no ar, como em meus tornozelos e replicando em vida aquela dificuldade de gritar nos sonhos. Os pingos que brotam na dobra do braço são fantasmas que aparecem não sei de onde, assustando e divertindo a grande montanha que eu sou e de onde as águas misteriosas convergem. Because I thought of a rose, I feel the perfume of one toda vez que passo pela sala, como se elas estivessem na mesinha de canto, dentro de um jarro de leite customizado, esquecidas e vermelhas, da cor das minhas bochechas quando lembro de você. Eu lembro hoje de você, porque faz frio, naquele tempo distante de quando estivemos 5 dias perdidos em uma ilha ensolarada, sem conhecer ninguém, seguindo uma rotina embriagada de álcool e comida e roupa de banho e sal. De todos esses dias, não são as fotografias o que mais representa a memória e sim a imagem das tuas costas salgadas e queimadas de tanto sol que avistei quando abri os olhos de um cochilo morno na areia. Foi a possibilidade de que em alguns dias elas estariam descascando e cheias de sarda o que fez com que eu tivesse certeza que continuaria te amando por mais um tempo, pelo menos até o verão voltar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s