Ficção

De vez em quando lembro
daquele fevereiro
que eu nunca tive
e dos amigos
com os quais nunca me abracei descendo ladeiras
o que é engraçado
já que eu entendo como ninguém
de altos e baixos
e de atos baixos
como escrever que você é
( ) qualquer xingamento
no caderninho de telefone
e depois me esconder atrás da porta
para te espiar lendo meu recado
já que tenho essa mania
de te machucar aos poucos
só para consolar depois
como quando digo
que sua roupa não está tão legal
– sei que isso vai te fazer titubear
para que eu possa te abraçar sorrindo
com um sorriso murcho
olha só
naquele último verão
nós fugimos
e todo ano vamos atrás do sol
e todo dia fazemos um pacto
de morrer mais um pouco
para que a vida tenha, enfim, sentido
então, por favor
vê se me aguenta
mesmo que eu não seja de carnaval.

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