all comes down

o dia já vai em 11 da manhã
como sempre e nesse horário,
o barulho da panela de pressão do vizinho apita mais alto
Consigo ouvir, mas não sinto cheiro de nada
Imagino que seja feijão, fico com fome
e lembro
da minha pia suja de louça
Suja, eu mesma ainda sem escovar os dentes
às 11 da manhã, horário de verão
O calor começa a bater na janela e eu finjo que não ouvi
Finjo que não estou
Finjo que o suor que começa a descer por entre meus seios não é meu
Finjo que não é nada comigo, nem eu sou comigo
O verde das folhas por trás do vidro balança agitado
Me dá sono ver tanto verde
Mal acordei e já quero dormir às 11 da manhã
para terminar aquele sonho de mar
Todos nós estamos submersos, querido
em um universo de água azul
é para lá que eu vou, mas não precisa vir comigo
Eu não quero ninguém ao meu lado que não saiba chorar.

 

 

 

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