frames of love

A gente acorda e já bota o pé no chão
o calcanhar duro, como se já tivéssemos além
de qualquer coisa humana
de qualquer coisa macia
porque macia mesmo
é a areia fazendo cócegas
com seus mil pedaços de algo que um dia foi inteiro
macio mesmo é o vento que seca a pele molhada
e a voz de um amigo ou outro
cujos rostos aparecem a todo momento
às vezes na porta de casa
não existe privacidade e o silêncio nos confunde
estão nos ouvindo
estamos ouvindo?
gritam do outro lado do muro
dá tempo para um banho?
dá tempo para outro mergulho?
de lá dá pra ver a lua
dá para voar até a lua
de toda janela se pode ver pedaços de uma infância
e cada canto ainda guarda os destroços do crescer
mas os brotos continuam insistindo em aparecer
no tronco da árvore centenária
mostrando que entre a vida e a morte
entre novos e velhos amores
o que importa mesmo
é sentar para ver os cachorros brincarem no fim da tarde.

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