Dias de Mar

Queria continuar sendo
como naquele dia
que te pintei de azul
quando ainda existia pudor
na hora de apagar a luz
quando eu lavava as suas toalhas
e guardava suas camisas
que pendiam como bandeiras
hasteadas sob o sol
que esquentava a nossa pele
descascada de sonhos e silêncio
a grudar na rede
naqueles sonos suados
de fim de tarde
quando tudo o que queríamos
era mirar o nada
era brincar com a areia
era deixar o sal sujar
o tecido grosso da sua calça velha
era beber sem medo
era não esperar o amanhã
sabendo que ele chegaria
como um futuro
que prometia muito
prometia tudo
que hoje, a gente vê
ele não cumpriu
o verão acabou
já tem um novo passarinho
piando na janela
e já faz muito tempo
que não somos
o que queríamos ser.

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