de vez em quando, eu sonho

Um parque
mata atlântica com sertão
meu olhar abobalhado para cima
o corredor de palmeiras imperiais
“olha, mãe, que lindo”
era o paraíso
vamos todos pra lá
estou certa disso
os prédios art déco
com suas varandas
nossos primos distantes
irão nos visitar
tocarão a campainha
do portão de ferro
os receberemos
no único andar
que não está abandonado
sei que já voltei lá
mil vezes essa
o ar seco sempre me acarinha no cangote
sorrir é inevitável
depois dançamos
foi quando fui mais feliz
mais do que na ioga?
eu só não era tão dona de mim
já tive muito medo
hoje não quero nem saber do que se trata.

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