tinha também amor pra dar

Elizandra, a telemarketing feliz que liga para oferecer seguro, quando o que ela quer é fazer novas amizades. Já viu tanta violência nessa vida, que não é mole, ela me diz. Eu digo que absurdo, mas não quero seguro, obrigada. Ela diz que entende, tudo tão caro hoje em dia. Ela fala que ama o seu trabalho, que  cada vez mais entende como esse produto que vende é necessário, pois até sua irmã já foi assaltada. Tá uma loucura, né menina? Mas Elizandra continua sorrindo, vai saber porquê. Porque é bom, sorrir é bom, a vida é boa, ela gosta de música, mais tarde tem um baile, o menino bonito chama pra dançar, Elizandra aceita, mesmo sem saber que logo aquele menino, exatamente ele, foi quem roubou o celular que tinha até televisão da sua irmã.